20 de janeiro de 2009

Traje à Vianesa

"Trazer ouro no pescoço
Brinquinhos a dar a dar
É bonita gosto dela
Tem olhos de namorar."



É indiscutível a riqueza "impregnada" nos nossos trajes regionais! Todos eles contam histórias de costumes e hábitos de tempos idos, revelando-se fontes extraordinárias da etnografia e história deste povo luso.

Deixo-vos um excerto de um texto retirado do site http://www.vianafestas.com/, relativamente à utilização do ouro nos trajes do Minho. Visitem o site e deliciem-se com a Romaria de Nossa Senhora da Agonia e o Festival de Folclore Internacional do Alto Minho.


"Foi o Traje “à vianesa” o grande responsável pela riqueza dos enfeites, das fligranas, das jóias tradicionais e onde a mulher de Viana se sente como ninguém ao fazer do seu “peito” uma mostra de bom gosto e de bem trajar.

Assim, a rapariga de Viana no seu traje de trabalho ou de cotio, nas lides domésticas ou no trabalho do campo não se sente “ourada” quando usa brincos e colar de contas. O subterfúgio da “orelha ferida” ou o epíteto de “fanada” era o mínimo que se podia dizer de uma rapariga sem brincos!

No “traje de domingar” e já a fazer “versos” nos lenços de amor usa o primeiro “cordão”, que lhe concede o estatuto de rapariga namoradeira. O mesmo se passa com o traje de ir à feira.
Só o “traje de festa”, também designado por “traje de luxo” é que “obriga” a rapariga a aparecer “ourada”.

E isto significa, quando são mordomas, a aquisição do segundo cordão com “peças” (medalhas de libra ou meia libra), borboletas (corações invertidos), a “laça”, os brincos “à rainha”, a pregadeira das “três libras”.

O Traje de Noiva – obriga ao terceiro cordão, oferta do noivo – um cordão grosso, a “soga”, um cordão “de bom cair” pelo seu muito peso, ao “trancelim” e à “Santa Custódia” ou “Brasileira” a lembrar os tempos de emigração.

O Traje de Morgada – sinónimo de casa farta, boa lavoura, criadagem, tulha cheia, soalhos encerados e o cheiro a mosto das adegas. Uma só jóia na casaquinha justa – a “gramalheira / grilhão / bicha”.


“Gramalheira” - por se assemelhar a uma corrente grossa usada para suspender os potes de três pernas da lareira; “grilhão” - pela sua analogia com as correntes metálicas; “bicha” – pela semelhança da parte do colar a uma cobra com escamas.

A união do colar – ao centro com chapas de ouro lisas e geometricamente recortadas – faz-se com uma “roseta” em relevo com pedras. Dos braços laterais caem franjas e, ao centro, o medalhão que pode atingir 20 centímetros com os mais variados motivos folclóricos.

Em termos de conclusão podemos afirmar que o Traje e o Ouro à Vianesa estão padronizados a partir do 2º quartel do Séc. XIX, altura em que os regionalismos, no Portugal liberal, se definiam."

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