18 de maio de 2009

E para os doutores e engenheiros, não há nada, nada, nada?

O momento alto da tradição académica nas Universidades portuguesas é, sem sombra de dúvida, a Semana da "Queima das Fitas":-)



Esta semana é composta por um conjunto de cerimónias comuns a todas as Universidades e eventos mais ou menos semelhantes entre todas elas.




O que vos vou contar diz respeito à "minha " Universidade: A Universidade do Porto, "Virtus Unita, Fortus Agit" (sign. A União Faz a Força).



"A história da Queima das Fitas no Porto não é muito mais recente que a de Coimbra, que se iniciou em 1919, pois já em 1920, os finalistas de Medicina da Universidade do Porto faziam a chamada “Festa da Pasta”, que é considerada a origem da Queima das Fitas do Porto.

A “Festa da Pasta” era um evento, com um grande espírito académico, que comemorava a passagem da pasta dos estudantes que estavam a terminar o seu curso, os quintanistas, aos que entravam na recta final, os quartanistas. Juntamente com a passagem da pasta era imposto o grelo aos quartanistas.


Ao longo dos anos a “Festa da Pasta” foi-se difundindo pelas diversas faculdades da Universidade do Porto, sendo que cada faculdade tinha a sua própria festa. As diversas “Festa da Pasta” realizaram-se ininterruptamente até 1943, ano a partir do qual passou a haver uma só para todas as faculdades.


Nesse mesmo ano de 1943, começou-se a usar o nome de Queima das Fitas, paralelamente ao de “Festa da Pasta”, tendo-se realizado no ano seguinte, em 1944, ainda integrado nestas comemorações, a primeira Missa da Benção das Pastas, na Igreja dos Clérigos.

(...) No Porto, a Queima das Fitas só se deixa de realizar a partir de 1971. Em 1978 a Queima das Fitas ressurge no Porto, com a designação de Mini-Queima e consistiu num cortejo, o que gerou alguma polémica e contestação em vários quadrantes da sociedade por considerarem que esta era uma iniciativa reaccionária. No ano seguinte, em 1979, foi feita uma tentativa mais alargada de organização de Queima das Fitas, tendo havido duas comissões organizadoras. No entanto, só uma delas teve sucesso.








A partir daí a Queima das Fitas do Porto começou a tomar os moldes que actualmente conhecemos, com inúmeras actividades desde a Serenata, ao Cortejo, passando pelas Noites, concerto Promenade, Festival Ibérico de Tunas Académicas, Sarau Cultural… Esta evolução ao longo dos últimos 20 anos fez com que a Queima das Fitas deixasse de ser uma festa restrita aos estudantes para passar a ser a segunda maior festa da cidade do Porto e a maior festa Académica do País.


Actualmente, a Queima das Fitas é uma organização da Federação Académica do Porto (FAP) e movimenta cerca de 350 000 estudantes, e um elevado número de pessoas afectas à Área Metropolitana do Porto, números estes só possíveis de atingir dada a diversidade de eventos produzidos, sendo prioridade da FAP não só na quantidade de eventos mas sobretudo a qualidade dos mesmos, havendo um esforço para proporcionar bons espectáculos, a preços acessíveis, a todos os estudantes e a toda a comunidade interessada.


Assim sendo, (...) este evento é como que uma retribuição à cidade do Porto e à Região por tudo aquilo que proporciona aos estudantes da Academia, nas suas mais variadas vertentes.
"

in site FAP







E de inúmeras actividades do Programa da Queima das Fitas da U.P., as cerimónias/eventos abaixo descritas são obrigatórias:



- A Monumental Serenata: A Serenata marca o inicio dos festejos da Queima das Fitas do Porto e inicia-se ás 00:01 do primeiro domingo de Maio, estimando-se o número médio de participantes em vinte mil estudantes de capa e batina ao luar. É da Praxe Académica não se baterem palmas durante a Serenata. Devendo os espectadores manterem-se em silêncio até ao final.

- A Missa da Benção das Pastas: A benção das Pastas é um dos momentos de Maior Significado para todos os finalistas, assumindo uma solenidade muito especial para o estudante católico que, na hora em que termina o seu curso e depois de longos anos de estudo, pede a Deus a bênção especial para a pasta em cujas fitas se inscrevem os nomes dos seus entes queridos.



- Dia da Beneficiência: Este dia é dedicado à recolha de fundos que reverterão a favor de uma ou mais instituições de solidariedade social da histórica cidade Invicta, através da venda de miniaturas de pastas académicas em cartão com fitas dos diferentes cursos e versos alusivos a estes (a primeira pasta miniatura surgiu em 1904)




- Cortejo Académico: O cortejo académico é, por excelência, o momento alto da Queima das Fitas, sendo um símbolo da comunhão dos estudantes com a cidade, no seu maior esplendor, em que os finalistas da Academia se apresentam à cidade. Durante toda a tarde da Terça-feira da semana da Queima das Fitas a vivacidade natural dos estudantes e a sua criatividade, bem patente nos carros alegóricos, encherá de estudantes, cor e alegria várias artérias da Cidade.





- Festival Ibérico de Tunas....







- Sarau Cultural, Arraial do Grelado, Rallye Paper, Chá Dançante, Baile de Gala e....




- No último dia: A Garraiada! A Garraiada surge em 1929 e é um evento com origem na mais tradicional festa brava portuguesa atraindo todos os anos vários milhares de estudantes à Praça de Touros escolhida para esta actividade. A disputa que se verifica na arena entre as várias equipas de forcados, oriundos das diferentes Escolas, Institutos e Faculdades é do mais alto nível estendendo-se às bancadas, que concorrem para o prémio de melhor claque!



Mas na vida académica de um estudante também existem Insígnias, símbolos com a cor da sua Faculdade e que permitem muito rapidamente saber em que ano o estudante se encontra. Estas insígnias são oferecidas pelo padrinho/madrinha de curso depois da Monumental Serenata e traduzem um ritual de passagem para um grau superior na escada académica!



Insígnias Académicas


1º ano - Semente

2º ano - Flor

3º ano - Grelo

4º ano - Fitas


5º ano - Cartola e bengala






E as famosas fitas têm cores consoante a Faculdade a que se pertence. Na U.Porto, as cores estão assim distribuídas:



Letras - Azul Marinho

Ciências - Azul Claro

Medicina - Amarelo

Engenharia - Castanho

Psicologia - Laranja


Arquitectura e Belas Artes - Branco


Economia - Vermelho e Branco (as minhas cores de Curso!)


Direito - Vermelho


Farmácia - Roxo



A todos os estudantes e muito em particular a todos os finalistas, votos de um futuro de sucesso e de muita força e coragem para enfrentarem os novos desafios!

Não posso acabar o post sem deixar uma beijoca repenicada às filhotas finalistas das minhas madrinhas do blogue Planeta AnaIsa, Maria Lemos e Carla Figueiredo e à filhota da talentosa Maria Tavares.

Muitas felicidades e muito êxito nesta nova etapa!

3 comentários:

Noah disse...

Post SENSACIONAL, obrigada por nos explicar tão bem esta cerimônia.
Parabéns!
Vou levar o link para o Almanaque.
bjim

Maria Bettencourt Lemos disse...

Muitissimo obrigada Ana Isa..por tudo!
Um grande abraço,
Maria Lemos

Filipe Costa disse...

Fiquei muito elucidado com o que li so tenho duas dúvidas....

No segundo ano pensava que não era flor mas sim a nabiça que dá origem ao grelo.

E a cartola e a bengala pensava que não eram insígnias mas sim adereços de festa visto que não se utilizam todos os dias como as restantes insignias