18 de novembro de 2009

Lenda dos Tripeiros


"No ano de 1415, construíam-se nas margens do Douro as naus e os barcos que haveriam de levar os portugueses, nesse ano, à conquista de Ceuta, e mais tarde à Epopeia dos Descobrimentos. A razão deste empreendimento era secreta e nos estaleiros os boatos eram muitos e variados: uns diziam que as embarcações eram destinadas a transportar a Infanta D. Helena a Inglaterra, onde se casaria; outros diziam que era para levar El-Rei D. João I a Jerusalém para visitar o Santo Sepulcro. Mas havia ainda quem afirmasse a pés juntos que a Armada se destinava a conduzir os Infantes D. Pedro e D. Henrique a Nápoles para ali se casarem...
Foi então que o Infante D. Henrique apareceu insperadamente no Porto para ver o andamento dos trabalhos e, embora satisfeito com o esforço dispendido, achou que se poderia fazer ainda mais.E o Infante confidenciou ao Mestre Vaz, o fiel encarregado da construção, as verdadeiras e secretas razões que estavam na sua origem: a conquista de Ceuta. Pediu ao Mestre e aos seus homens mais empenho e sacrifícios, ao que o Mestre Vaz lhe assegurou que fariam para o Infante o mesmo que tinham feito cerca de trinta anos atrás aquando da guerra com Castela: dariam toda a carne da cidade e comeriam apenas as tripas. Este sacrifício tinha-lhes valido mesmo a alcunha de "tripeiros".
Comovido, o Infante D. Henrique disse-lhe que esse nome de "tripeiros" era uma verdadeira honra para o povo do Porto. A história de Portugal registou mais este sacrifício invulgar dos heroícos "tripeiros" que contribuiu para que a frande frota do Infante D. Henrique, com sete galés e vinte naus, partisse a caminho da conquista de Ceuta."
Não sou tripeira de nascimento, mas adoptei o Porto como a minha cidade durante 18 anos... tenho-a no coração! É uma cidade com uma atmosfera mágica e os tripeiros são conversadores, barulhentos, trabalhadores e donos de uma generosidade imensa!
Bibó Porto!

1 comentário:

Noah disse...

Excelente post. O tema LENDAS sempre nos leva a pensar sobre o que realmente aconteceu, e isso, ao estudo da História real e do imaginário.
Conheço nada sobre D.João I mas sou fã de D.João III e D.João VI, quanto a Dom Henrique, o príncipe Navegador, muito se fala e atribui a Escola de Sagres, que também parece, foi uma lenda.
Mas, são só minhas divagações momentâneas.
Enormísssimo abraço e um milhão de Bj~.~s